Drácula de Bram Stoker


Não me lembro quando e nem qual foi o meu primeiro contato com vampiros, mas aposto quase todas as fichas em A Hora do Espanto. Eu ainda acho essa uma das melhores histórias já escritas porque ao mesmo tempo que dá um medinho é tão divertida! Ah, e esse filme também me ensinou uma lição muito importante: um vampiro só vai entrar na sua casa se você fizer um convite formal!

Depois disso vieram os clássicos que todo mundo já deve conhecer: Crepúsculo (esses daí não precisam de convite para entrar hehe), Diários de um Vampiro, Entrevista com o Vampiro (eu amo), Hotel Transilvânia, e até mesmo o filme Drácula de Bram Stoker. Mas foi só esse ano que eu conheci de verdade a fonte de todas essas histórias. O clássico Drácula de Bram Stoker, livro publicado há mais de 120 anos, era quase como um vampiro indesejado que ficava rondando a minha casa, mas eu não permitia a entrada. Mesmo tendo começado a ler no Halloween do ano passado, foi só esse ano que fiz o convite de verdade. Drácula, você tem um lar na minha estante!

"Vampiros são imortais, mas apenas Drácula é eterno."


A história começa com Jonathan Harker, um advogado que está indo para a Transilvânia, para o castelo de Conde Drácula, a fim resolver questões burocráticas sobre a compra de imóveis em Londres. No entanto, antes mesmo de chegar ao castelo ele percebe que aquela viagem está mais peculiar do que ela deveria ser, pois as pessoas com quem comenta para onde está indo parecem ter medo da mera menção ao Conde. Jonathan, como um perfeito cético, não se preocupa tanto com isso, até o próprio chegar a seu destino e perceber que Drácula é uma figura um tanto quanto estranha e ameaçadora.


Apesar de a premissa básica ser a ida de Harker à Transilvânia, essa viagem vai se desdobrar em muitos outros acontecimentos. O livro todo é em formato epistolar, ou seja, narrado por meio de cartas e registros em diários de diversos personagens. Embora esse fato tenha deixado a leitura mais fluída e íntima, acredito que também sido o responsável por me fazer atrasar tanto: o foco está em todos os personagens, mas pouco vemos do Drácula, mesmo que ele seja a figura central e responsável por tudo o que está acontecendo.

Não me entendam mal: eu gostei do livro! Ao final me senti feliz e satisfeito por tê-lo lido, mas, ao mesmo tempo, esperava ver uma história de terror, com muitas caçadas e sangue e vampiros. Não é à toa que minha parte favorita da leitura foram as primeiras 100 páginas, pois elas basicamente se passam dentro do castelo, e é criada uma tensão muito grande porque a gente se sente preso lá junto com o Jonathan; não me deu medo, mas de deixou tensa. Só que eu tenho certeza que as pessoa daquela época consideravam essa história um terror (o povo da era vitoriana eram muito emocionado). Já eu o tenho como um romance gótico, com um foco muito maior em como seus personagens lidam com a presença de um vampiro do que no vampiro em si.


Apesar de ser um clássico com mais de um século de idade, a leitura é fácil e simples. Eu me atrasei porque fiquei um tanto frustrada com a ausência do Drácula, mas, não fosse essa desilusão, com certeza teria conseguido terminá-lo em um mês, no máximo. Um dos poucos clássicos que li foi Alice no País das Maravilhas, e eu confesso que sempre tive um pouco de medo de ler esses livros por achar que não iria entender, ou até mesmo de não gostar e os leitores cults virem me chamar de tapada por isso. Mas Drácula me fez ver que eu não preciso ficar assustada com esse tipo de literatura, e que eu posso não gostar tanto, ou gostar nada, ou gostar muito. É a minha experiência e minha opinião no final das contas.

Quanto aos personagens, achei o Jonathan bem abobalhado em alguns momentos. Na verdade, meus personagens favoritos foram o Abraham Van Helsing (fiquei curiosa para ver mais desse caçador de vampiros!) e a Mina Harker, e acho interessante falar sobre a Mina, pois ela é a única mulher do livro que tem uma verdadeira presença e voz. É totalmente injusto julgar a forma como os homens do livro veem ela, pois é uma história com mais de 120 anos, então é óbvio que com seu intelecto Mina fosse tida como uma mulher com "cérebro de homem". Para o contexto da época essa expressão era certa e quase um elogio. Se fosse hoje em dia a gente poderia reclamar do quão ultrapassado isso é, mas não com um livro da era viroriana.

Bom, enfim, eu fiquei muito feliz por ter conhecido essa história. Quando li a última página até pensei que talvez eu releia um dia! Foi muito legal acompanhar as investigações, o crescimento e as nuances dos personagens, e ver no que tudo culminou no final. E eu preciso falar: torci pelo Drácula o livro inteiro!


Sobre a edição, Drácula não poderia ter ganho um casa melhor. A DarkSide Books lançou duas edições para comemorar a chegada do vampiro à editora: a dark edition e a first edition. A dark é uma edição exclusiva da DarkSide, com uma capa toda preta. Já a first foi feita inspirada na primeira edição do livro que foi lançada lá em 1897. Eu vi que muita gente gostou mais da dark edition, mas, pra mim, a first está muito mais bonita. Eu amei a capa amarela e o contraste dela com o vermelho do título e do corte de página. Além disso, os detalhes no interior da edição são todos em vermelho também. Ah, mas eu estou aceitando a outra edição de presente hihi.


Ao final do livro tem várias páginas de conteúdo extra, desde cartas ao Bram Stoker, até resenhas que foram publicadas na época e explicações a respeito do livro. Eu amo esse cuidado que a editora tem de sempre buscar enriquecer os leitores sobre a história, indo muito além. Bom, um desses conteúdos é sobre o Drácula no cinema. Existem muitas adaptações do clássico, mas uma com o qual eu já havia tido um pífio contato, e que fiz que questão de assistir depois de concluí a leitura, foi Drácula de Bram Stoker, de 1992.

É um filme com muita coisa muito parecida com o livro. Existem tramas novas inseridas na história que serviram de explicação para a obsessão de Drácula por uma certa personagem. Além do mais, tem um tom muito sensual e depravado, coisas que não existem no livro. Eu acho um filme bom, e muito emblemático porque eu só conseguia imaginar os personagens como os atores. Mas, ao mesmo tempo, acredito que eu também teria gostado caso tivessem feito uma adaptação realmente fiel ao livro. (e, no final, todo mundo concorda que o melhor Drácula é o de Hotel Transilvânia!)


Gravei esse vloguinho nos três últimos dias da minha leitura de Drácula. Eu mais falo do que mostro cenas de eu lendo, e no final comento um pouco sobre as minhas impressões a respeito do livro. A resenha com fotos foi feita principalmente porque eu consigo organizar meu pensamento e minhas opiniões muito melhor escrevendo do que falando hehe. Espero que gostem!


Gostaram da resenha? Eu juro que estou me sentindo muito incrível por vir falar de um clássico tão importante quanto esse. Quem aí já leu? Espero que o post tenha incentivado quem ainda não leu a fazer o convite formal ao Drácula! Vocês podem comprar uma edição igual a minha aqui

os tempos são difíceis


Eu tento nunca diminuir as coisas que outra pessoa está sentindo. Não que eu consiga a todo momento, mas eu tento. Como poderia virar para alguém e dizer que a sua dor não tem sentido? Não deveria haver balança nem unidade de medida para a tristeza. Mesmo sendo bobagem, pode ser a bobagem mais importante do mundo. Mas, verdade seja dita, eu falho em aplicar esse pensamento quando se trata de mim mesma. Eu faço o possível para banalizar a todo momento o que eu sinto e o que é importante pra mim.

Mesmo estando ora preocupada com tudo que está acontecendo, ora perto de cair no ostracismo, eu consegui manter as minhas sessões de terapia. À distância, mas ainda assim. Eu não queria parar de novo, e então, uma vez por semana desde que tudo começou, eu faço uma sessão online com a minha psicóloga. Sinceramente, é bom. Acredito que se não as estivesse fazendo teria me rendido ao sofrimento universal completamente e me esquecido das coisas que existiam dentro de mim. E, repetidamente, em toda sessão, a minha psicóloga tenta me fazer enxergar que o que eu sinto não é banal.

Tudo isso é muito pessoal. Não é como se eu passasse meus dias me lamentando para as pessoas sobre o que eu não posso mais fazer e o que eu perdi enquanto tem gente morrendo aos milhares por aí, e passando fome, e sofrendo em leitos de hospitais. Mas eu sabia que se não escrevesse a respeito disso, e como a situação tem me afetado até agora, eu não me permitiria fazê-lo depois. Eu ia continuar mantendo as frustrações dentro de mim, então aproveitei que estava disposta, sentei e comecei a escrever.

Eu tenho lembranças claras do dia que as coisas mudaram. Eu juro, parecia tão distante tudo que estava acontecendo, e todos aqueles números eram isso: números! Eu fui a uma festa, eu fui para a faculdade, para o estágio, eu abracei meus amigos, eu andei de ônibus, e eu vivi esses últimos dias bons um tanto quanto alheia, assim como todo mundo no país. Mas daí as coisas começaram a ficar muito ruins muito rápido. E eu não pude (e nem queria) mais sair de casa, e os números continuaram aumentando, e as pessoas começaram a sair de máscara nas ruas, e as notícias só falavam disso, e quem realmente deveria mostrar empatia nesse momento agiu de maneira horrível e insensível.

Parece tão besta eu ficar frustrada por não poder ir à faculdade, e por ter perdido meu estágio, e não poder mais ver meus amigos. Ou ficar sentida porque naquela semana eu estava planejando me matricular na escola de balé e finalmente realizar esse sonho de infância, ou porque nas semanas seguintes eu ia fazer minha primeira tatuagem. Justamente quando as coisas estavam acontecendo como eu desejava, deu tudo errado. E eu sei que não é sobre mim; não é como se universo estivesse conspirando contra mim. Na verdade, ele está conspirando contra todo mundo!

Eu juro, não tem um dia desde que tudo começou que eu não me sinta frustrada. E não tem um dia desde que tudo começou que eu não me sinta culpada por me sentir assim. E é angustiante porque, por mais que eu me sinta egoísta, não consigo parar de sentir essas coisas. Eu fico me perguntando se o que eu estou fazendo hoje tem algum sentido. Eu queria saber.

Corte de Espinhos e Rosas (Sarah J. Maas)


Acho importante antes de começar a resenha avisar que esse é um post escrito por mim, um pessoa completamente apaixonada pelo universo de Corte de Espinhos e Rosas, e que vai ser muito parcial na hora de dar as opiniões, pois é para isso que os fãs servem hehe (o famoso passar pano) (ok, talvez nem tanto, mas vai ser quase isso). Não estou mentindo quando digo que esses livros se tornaram alguns dos meus favoritos da vida, quiça os favoritos, então tentar tecer uma resenha que não esteja apenas cheia de elogios pode ser difícil.

Nesse primeiro volume da (por ora) trilogia, vamos conhecer um universo dividido entre o reino dos humanos e o reino dos feéricos, e esses dois mundos estão separados por uma muralha mágica. Feyre é uma humana que caça para sustentar sua família, e numa dessas caçadas ela acaba matando um lobo muito grande. Alguns dias depois uma fera invade o chalé da família, e diz que aquele lobo assassinado era um feérico e que, por conta dessa morte, Feyre terá que se retratar indo viver do outro lado da muralha: Prythian!

O primeiro livro pode ser visto como uma releitura de A Bela e Fera: a moça que é raptada e mantida como prisioneira. No caso, Feyre é levada para a Corte Primaveril, pois em Prythian as terras são divididas em cortes, e cada uma delas é governada por um grão-senhor. Tamlin é o senhor da Primaveril e ele, que deveria ser o algoz de Feyre, acaba se tornando um protetor, pois dá a ela todo o luxo e cuidados disponíveis naquele lugar, além de afirmar que sua família está sendo assistida. Toda essa situação deixa Feyre preocupada e encabulada, pois ela não é exatamente a prisioneira que esperava que seria. Em meio a isso, há rumores sobre uma praga que assola as terras de Prythian...


Quero começar dizendo que eu li esse livro duas vezes. Se eu tivesse sentado logo que li pela primeira vez, no ano passado, com certeza teria uma opinião bem diferente da que tenho hoje, e por isso fico feliz por ter esperado todo esse tempo para dar meu parecer. Tudo bem que algumas coisas não mudaram: eu ainda acho Corte de Espinhos e Rosas um tanto fraco se comparado aos livros que o sucedem, mas de modo algum é um livro ruim e com acontecimentos que não farão sentido em algum momento!

O que mais incomodou nesse livro, além do começo um pouco arrastado, foi o quanto a Feyre vai de uma garota forte, que mesmo sendo a mais nova se embrenha na floresta pra trazer comida para as irmãs mais velhas e o pai (que, por sinal, são uns inúteis mal agradecidos!) (eu odeio essa família com todas as forças), até uma mocinha indefesa que gosta da proteção e das facilidades da vida na Corte Primaveril. Ela se torna muito suscetível a tudo, além daquele clichê do "fazer tudo por amor", amor esse que ele nem sabia que existia até certo momento. No entanto, se formos analisar quem é a Feyre nas primeiras páginas, percebemos que a coisa que ela mais que é uma vida fácil e confortável, é se livrar das irmãs e ter tempo pra ela, e é isso que o Tamlin oferece, o que torna essa desconstrução dela aceitável. Além do mais, nos próximos livros a gente percebe que ela ter passado por esse processo foi importante para construir uma personalidade muito melhor.

E já que eu falei do Tamlin, vamos falar dele. Desde a primeira vez que eu li eu percebi que tinha alguma coisa de errado com ele. Não posso falar muito por causa de possíveis spoilers de Corte de Névoa e Fúria, mas vou falar do que me incomoda nele nesse livro: ele é o personagem mais desinteressante que eu já tive o desprazer de conhecer! Eu não consigo me importar com os dramas da vida dele porque eu acho ele chato e controlador. Mas, claro, essa é minha opinião, pois tem muita gente que gosta dele.


Além da Feyre e do Tamlin, outros dois personagens que tem destaque são Lucien e Rhysand. O Lucien é personagem do qual é muito fácil gostar, pois ele é divertido e tem uma história bem trágica. Em resumo, Lucien é filho do grão-senhor da Corte Outonal, mas vive na Primaveril como mensageiro do Tamlin (um agregado hehe). Já o Rhysand é um do qual eu não deveria falar muito, pois apesar de ele ser odioso e asqueroso e tudo de ruim que vocês possam imaginar (pelo menos nesse livro), é talvez o personagem mais interessante nessa história. A Sarah J. Maas o escreveu de maneira que a gente o odiasse, e eu realmente odiei com todas as minhas forças porque ele faz coisas horríveis, e ele é muito arrogante e convencido e detestável! Mas ainda tem muita coisa dele pra ser contada... só que não vai ser nessa resenha.


No mais, Sarah J. Maas criou um universo tão grande e rico, com tantas criaturas e com tantas histórias. Pra minha tudo era tão visual que é como se tivesse um filme na minha cabeça. Eu fiquei sedenta para explorar todas as cortes de Prythian logo que foram mencionadas: Primaveril, Estival, Outonal, Invernal, Crepuscular, Diurna e Noturna (...) As sete Cortes de Prythian, cada uma governada por um Grão-Senhor, todas letais de seu próprio jeito. Não são apenas poderosas, são Poder. E também há todas as criaturas desse lugar e os próprios feéricos que, pra mim, são uma mistura de fadas com elfos (hehe). Os feéricos são divididos em feéricos inferiores (sem tanta magia, mas ainda assim imortais), grão-feéricos e grão-senhores.

O vilão da história é um tipo clássico de vilão, bem ao estilo Feiticeira Branca de Nárnia, embora bem mais cruel do que ela. Ele só é revelado de verdade um pouco depois da metade do livro e, até lá, o medo que os personagens sentem de uma mera menção vai sendo implantado aos poucos em nós mesmos, e a cada página vamos nos preparando para algo ruim acontecer.


Em suma, eu amo esses livros, mesmo o primeiro tendo aí as suas falhas. Na verdade, ter relido foi a melhor coisa que eu fiz porque eu consegui entender muito melhor os personagens e suas nuances. Não é uma trilogia perfeita, têm coisas "politicamente incorretas", além de ser tudo bem heteronormativo e todo mundo ser branco e absurdamente bonito, reconheço isso. Mas, independente, é uma história muito especial e muito importante pra mim. Sempre que eu posso estou indicando! E, por favor, não desistam no primeiro livro porque, mesmo que ele pareça muito simplório e ruim, as coisas melhoram, e muito!

Ah, também acho importante ressaltar: não são livro infanto-juvenis! Tem conteúdo adulto, desde sexo a violência, além de cenas de abuso que podem causar ansiedade e servir de gatilho para algumas pessoas. Você que tem menos de 16 anos, muito provavelmente não é um livro pra sua faixa etária!

Alguém aí já leu? O que vocês acharam? Me conta tudo que eu amo falar sobre a minha história favorita! E quem aí ficou curioso para ler? Vocês podem comprar o livro aqui (comprando pelo meu link vocês me ajudam porque eu recebo uma pequena comissão).