Leituras no Kindle Unlimited 002


Fiquei alguns dias sem entrar aqui no blog, e não tem desculpa pra isso além de eu estar lendo. Tipo, eu estou lendo muito! Acho que esse mês eu li quase 10 livros, e isso pra mim é muito mesmo haha. Claro que estar no meio da maratona literária de inverno tem ajudado a dar um up nas minhas leituras e contribuído com meus sumiços. Mas nem sei porque eu falei tudo isso (sei sim) (estou passando pano para mim mesma por ter largado o blog), afinal nenhum desses livros que vou resenhar aqui foram lidos nas últimas semanas. 


❤ O Barão do Café (Jas Silva): quem me conhece sabe que eu tenho sérios problemas com romances, ainda mais os do gênero new adult, mas de tempos em tempos acabo encontrando algum título que me chama atenção (e do qual eu, por incrível que pareça, acabo gostando hehe). Nesse aqui a gente conhece Augusto Alencar, dono de um império agropecuário e que comenda-o de forma implacável e agressiva. Por outro lado, temos Estela, uma cigana que vive nos arredores daquelas terras e que, devido a acontecimentos passados, Augusto a odeia, assim como seu pai.

Obviamente é um daqueles romances onde os personagens deveriam se odiar devido às circunstâncias, mas acabam se apaixonando. Sinceramente, achei o Augusto um grande babaca por querer descontar numa moça que nada tinha a ver o seu ódio, mas o livro é tão bem escrito que eu acabei conseguindo acreditar na redenção do personagem. O enredo do livro lembra muito uma novela mexicana, e claro que na vida real nada disso aconteceria.

Foi uma leitura legal, instigante, e que serviu ao meu propósito de conseguir dar mais chances a livros desse gênero. Os personagens são complexos e profundos (podem acreditar!), a escrita da autora é ótima, e é um livro único, então dá pra ler sem se preocupar porque as coisas acabam realmente na última página. (compre aqui)


❤ Prelúdio Sombrio (Tillie Cole): deve fazer uns dois meses que li esse livro, mas não cheguei a comentar sobre ele aqui e em quase nenhum lugar além dos stories do instagram, inclusive foi por lá que eu conheci ele. Preciso começar dizendo que esse o primeiro de uma série (bem grandinha, por sinal), e é um dark romance (outro gênero que eu não costumo ler). Nós vamos ter dois arcos: Salome e Styx. Salome é uma garota que vive numa comuna religiosa afastada do mundo, e Styx é o líder de uma gangue de motoqueiros. Após anos de um primeiro encontro misterioso, a vida dos dois volta a se encontrar de um maneira totalmente inesperada.

Preciso começar dizendo que é um livro totalmente politicamente incorreto, desde a comuna absurda onde a Salome vive até a gangue criminosa do Styx. Preciso confessar que eu gosto muito mais do contexto onde a história se passa do que da trama dos personagens em si (hehe), tanto que o que mais me instigou a continuar lendo foi saber o que aconteceria com tudo aquilo, e não com os protagonistas em si (até porque eu achei a escrita um pouco arrastada no que referente aos dramas desses dois personagens).

No mais, é um livro muito pesado, com coisas horríveis sendo graficamente descritas, como por exemplo estupro de crianças. Cuidado com os gatilhos! Acho que a autora quis chocar e causar angústia e repulsa demasiada nos leitores, e eu não sei até onde gosto disso em livros, pois acabo me sentindo muito fragilizada lendo sobre isso dentro de uma história onde teoricamente eu deveria me sentir ligado ao personagem que está sofrendo tudo aquilo. (compre aqui)


❤ Protetor (Sara Ester): ok, talvez esse post sirva para fazer com que algumas pessoas pensem que me tornei uma leitura compulsiva de romances new adult, mas a verdade é que não (mas se fosse, não teria problema também). Antes de mais nada quero dizer que acho essa capa horrível, e ela nada tem a ver com a história. A gente conhece a Giovanna, uma moça que acabou de sair da cadeia, e o Lorenzo, que foi incumbido de ajudá-la a seguir seu caminho após a saída da prisão. E é isso que eu posso falar do livro.

Sinceramente, eu não gostei. A escrita é simples e até fluída, mas nada se sustenta nesse livro: nem os personagens, nem o romance, nem o mistério de porque a Giovanna foi presa. Nada. É tudo muito simplório, e as coisas acontecem muito rápido. É uma leitura gostosa pra passar o tempo e pensar em nada enquanto lê, mas não vai além disso (lembrando que essa é a minha opinião passível de questionamentos). (compre aqui)


❤ O Rito da Lua de Sangue (Emilly Amite): saindo um pouco dos romances, vou falar agora de uma fantasia nacional que fiquei muito interessada depois de ler o título (falou em "lua" eu já estou atrás). Acabei lendo e a história me surpreendeu! Ellyn é um bruxa criada por humanos que, após um acidente, foge de casa na tentativa de começar uma nova vida num outro lugar. Mas no meio do caminho é atacada por um grupo de bruxos conhecidos como Mardans das Sombras que resolve levá-la como prisioneira para o seu território.

Eu gostei muito dessa história e de todo o universo que a Emilly criou. Apesar de ter vários conflitos e subtramas e criaturas mágicas, a escrita é simples e fluída. As descrições faziam com que eu me sentisse lá junto dos personagens, no meio da floresta sob a luz da lua. A história começa com a Ellyn, mas vai se desdobrando em muitas outras coisas, e isso é muito legal (até porque, confesso, achei alguns outros personagens mais legais que a protagonista hehe).

A autora tem vários outros livros disponíveis lá no Kindle Unlimited, inclusive O Rito da Lua de Sangue tem uma continuação. Vários títulos estão na lista de livros que quero ler logo logo. Vamos celebrar essa escritora nacional (e vários outros) que se dedica à fantasia! (compre aqui)


❤ Uma Jornada Para se Apaixonar (Anne Marck): Anne é minha autora nacional favorita. Gosto muito dos romances dela, inclusive já fiz um post aqui no blog comentando os três livros da Trilogia Protetores. Quando ela anunciou que seu novo livro seria um romance de época eu confesso que fiquei um tantinho desanimada, pois eu li pouquíssimos romances de época na minha vida, e isso já faz muito tempo. Mas depois ter lido eu percebi que foi uma leitura muito gostosinha.

Aqui vamos conhecer o duque John Russell, que veio até o Brasil para procurar sua irmã - que decidiu que seria uma ótima ideia dar uma escapada da sociedade britânica. Mas as coisas não são tão fáceis para ele, principalmente por não saber falar português. Assim que desembarca, conhece Felícia, uma moça vestida como um rapaz, misteriosa, mas que milagrosamente entende tanto o inglês quando o português. 

As duas coisas que mais se passam na minha cabeça quando eu penso em romance de época é: eles não tomavam banho todo dia, e os mocinhos libertinos com certeza tinham alguma doença sexualmente transmissível. Mas consegui deixar esses meus conceitos de lado em prol da história de Uma Jornada Para se Apaixonar. Em diversos momento eu me peguei rindo, torcendo pelo casal, ficando triste e preocupada, então com certeza foi uma leitura que valeu a pena. Eu amei os personagens, gostei da ambientação e do rumo que a história tomou! (compre aqui)

Enfim, por ora são esses livros, mas logo logo volto com mais resenhas nessa categoria porque tenho lido alguns ebooks no Kindle. Já leram algum dos livros que eu citei? Ficaram curiosos ou interessados em algum título?

Lembrando que o Kindle Unlimited é um serviço da Amazon onde você paga um valor mensal e tem acesso a um acervo de livros bem grandinho. No momento, ele está em promoção de três meses por 1,99$. Vocês podem assinar aqui (assinando pelo meu link vocês em ajudam a receber uma pequena comissão).

Seis anos, e eu continuo aqui


Há seis anos atrás eu criei esse blog. De lá pra cá muita coisa mudou: o nome do blog; o layout; minha forma de escrever e me expressar; as fotografias; minhas opiniões. No final de tudo, essas mudanças só aconteceram porque eu mudei, tanto por dentro quanto por fora. Estava atualizando os posts antigos há um tempo e, olhando para trás, percebo que eu amadureci. Mas, mesmo com tudo que aconteceu de 2014 até este momento, eu continuo aqui, nesse espaço só meu.

Diferente dos anos anteriores, eu não senti aquela vontade sempre tão grande de comemorar. Eu não estava "no clima" para isso. O ano está sendo tão diferente do que eu esperava; tem tanta coisa horrível acontecendo. No começo me senti culpada por não querer uma comemoração, mas não durou muito (o sentimento de culpa, no caso). Estou tentando parar de sentir tanta culpa por tudo, e principalmente por não me obrigar a fazer coisas que eu não desejo. Ao invés disso, decidi falar sobre o ano de 2014.

Naquela época eu tinha um complexo de inferioridade e de estranheza muito grande. Hoje em dia, mesmo ainda me considerando um tantinho peculiar, não vejo minhas características como um defeito nem nada. Ah, e eu também estou tentando parar de me colocar para baixo. Enfim... naquele ano eu tinha acabado de entrar numa fase e num ambiente totalmente diferentes. Eu não era mais criança; era uma adolescente, com novos deveres e responsabilidades (hehe), em uma nova escola onde me senti totalmente deslocada pelos três anos que se seguiram.

Durante muito tempo fui péssima com as palavras tamanha a minha insegurança. E vi na internet a chance de conseguir falar! Falar das coisas que eu gostava, expressar a minha opinião. E, embora eu considero 2014/15 os anos finais do ápice dos blogs (pois logo vi todos os blogueiros migrando para o YouTube), criar esse blog foi maravilhoso pra mim. Era algo tão meu, que ninguém nem da minha escola e nem da família sabiam. E eu juro: o fato de cair bem no dia dos namorados não foi intencional.

Ao longo de todos esses anos eu conheci tanta coisa e tanta gente incrível, e recebi tanto carinho por simplesmente estar sendo eu mesma. Para alguém que tinha (e ainda tem) dificuldade em criar laços, conseguir conversar com várias pessoas virtualmente e poder chamar várias delas de amigos é quase extraordinário. Muitas dessas pessoas fazem parte ativamente da minha vida hoje. E eu posso dizer que, mesmo às vezes sendo um lugar tóxico, foi por meio da internet, por meio do blog e das redes sociais que eu consegui ir me descobrindo aos poucos, e no final eu não me tornei uma pessoa perfeita, mas uma versão muito melhor de mim mesma.

Então, hoje, mesmo que atrasada, eu queria vir aqui agradecer a todo mundo que possibilitou que o blog chegasse onde chegou hoje. Agradecer a todas as visitas e a todo o carinho. Agradecer por ele estar completando mais um aninho de vida. Já se passaram seis anos, e eu continuo aqui. E espero continuar aqui por muito mais tempo!

A Rebelde do Deserto (Alwyn Hamilton)


Acredito que uma das coisas que mais me deixa feliz como leitora é encontrar livros de fantasia que vão me encantar tanto a ponto de me deixar extasiada. Gosto de variar os gêneros que leio, mas de tempos em tempos acontece de eu cair de paraquedas num trilogia ou série fantástica. Pois bem, no ano passado, quando eu troquei aqueles livros no sebo, não imaginava que iria acabar trazendo para casa um dos livros mais legais que já li! O destino do deserto está nas mãos de Amani Al'Hiza - uma garota feita de fogo e pólvora, com o dedo sempre no gatilho. Só por essa frase o livro A Rebelde do Deserto me ganhou completamente. Eu fiquei doida pra ler! 


Aqui vamos conhecer um país fictício chamado Miraji. Apesar de ser governado por humanos que há muito não veem indícios dos seres mágicos e primordiais do deserto, para todos é consenso de que essas criaturas místicas existem. Amani vive na Vila da Poeira, o último condado de Miraji. Ela é uma garota corajosa e habilidosa com armas, embora todo esse talento seja minado por todas as convenções daquele lugar. Seu maior desejo é poder chegar até a capital Izman, pois acredita que apenas num lugar muito distante do último condado ela vai ter a liberdade que tanto almeja. 

Pois bem, as coisas começam a acontecer de fato na manhã seguinte a um tornei de tiros. Naquela noite, Amani se tornou o "bandido dos olhos azuis" para poder participar, e acabou conhecendo um forasteiro chamado Jin. Ela não esperava que algumas horas depois estaria cavalgando com ele num cavalo mágica rumo ao deserto, fugindo do exército no sultão. É a partir dessa aventura que Amani vai começar a perceber que existem muito mais coisas além de seus próprio desejos, e que aquele deserto é muito maior do que ela imaginava que fosse.


Eu gostei tanto dessa história que mal sei por onde começar! A Rebelde do Deserto abre todo um universo criado pela Alwyn Hamilton, universo esse que a gente vai conhecendo e vendo se expandir ao longo das páginas. A autora não nos dá explicações mastigadas sobre aquele país; a gente vai aos poucos assimilando, e conhecendo-o ainda mais junto com a Amani. E por falar nela, é uma das personagens femininas mais incríveis que eu já conheci, e não apenas por ser uma ótima atiradora e não negar isso, nem porque é muito corajosa e obstinada e sarcástica. Amani é incrível porque ela é muito real; é muito fácil gostar e se identificar com ela.

A Amani tem uma evolução gigantesca ao longo do livro, pois começa com um desejo um tanto egoísta de liberdade, e isso não necessariamente está errado. Mas, quando ela se depara com um universo inteiro se expandindo diante de seus olhos, percebe que apenas a sua liberdade não é suficiente. Ela quer um deserto bom e igual para todos!

As pessoas neste deserto deveriam ter um país que pertence a elas, não há um homem. Todos aqui vivem como se alguém ateasse fogo nelas quando nascem. Tem tanta grandeza em Miraji, e tantos atos terríveis sendo cometidos pelo meu pai pelos gallans. O povo merece algo melhor. Shazad merece um país onde sua inteligência não seja desperdiçada por ela ser mulher. Os demdjis não devem temer por sua vida só porque meu pai se aliou a um país que queima aqueles tocados pela magia. Minha mãe merecia algo melhor do que ser espancada até a morte por se rebelar contra uma vida que ela não escolhera. Poderíamos tornar Miraji o melhor país do mundo.


Apesar de esse primeiro livro ser uma aventura focada no autodescobrimento e crescimento da Amani, nós temos um trama política (que vai se desenvolver muito mais nos próximos) (estamos falando de uma trilogia aqui!) envolvendo um príncipe rebelde que quer destronar o sultão que, a cada dia, torna a vida das pessoas em Miraji mais difíceis. A rebelião é um dos pontos-chave para o crescimento da Amani, e é com ela que passamos a ter muito mais conhecimento sobre seres primordiais e seres humanos que possuem magia.

Também temos um romance, mas é algo muito pequeno se comparado a tudo que se passa ao longo de A Rebelde do Deserto. Ele não tira o foco dos acontecimentos do livro (e eu garanto que muita coisa acontece), e se desenvolve de uma forma muito natural, sem toda aquela paixão desenfreada que geralmente tem em livros de fantasia, e sem fazer com que os personagens caiam no piegas "fazer tudo por amor", afinal tem uma rebelião acontecendo, e não vai ser o amor que vai levar o príncipe rebelde ao trono hehe.


No mais, é um livro fenomenal. Eu não consigo encontrar algo para fazer uma crítica: a escrita é fluída e peculiar; em nenhum momento a leitura se torna maçante; o universo construído é fenomenal; a aventura é incrível, mas, ao mesmo tempo, é um livro simples e isso, a meu ver, deixa a leitura ainda mais gostosa; a protagonista é uma mulher não-branca forte que não fica se lamentando, mas que toma atitudes. É uma fantasia maravilhosa, uma das melhores que já tive o prazer de ler!

Ah, falando um pouquinho da edição, segue bastante o estilo da Editora Seguinte: brochura, folhas amarelas e lisas, um bom espaçamento. Eu gosto bastante dessa capa, acredito que ela diz muito sobre o livro, mas deixa aquele clima de mistério. Algo que me incomoda um pouco é o verniz no título de nos detalhes, pois com o tempo ele pode arranhar, além de ser bem difícil de fotografar de forma que fique visível (se vocês repararem, não tem nenhuma foto na resenha da capa do livro tirada de cima).


Gostaram da resenha? E das fotos? Espero que eu tenha conseguido deixar uma galera curiosa! Logo logo trago resenha de A Traidora do Trono. Vocês podem comprar o livro aqui (comprando pelo meu link vocês me ajudam a receber uma pequena comissão, e assim eu posso comprar mais livros). E, lembrem-se...

 uma nova alvorada. um novo deserto.